Uma imagem pode transmitir mensagens que vão além do que foi planejado por quem a criou. Cores, símbolos, números, poses, objetos e outros elementos visuais carregam significados que podem variar de acordo com o contexto cultural e social.
Recentemente, imagens publicadas pela Converse, marca conhecida pelos tênis All Star, geraram discussões nas redes sociais. Alguns internautas apontaram semelhanças entre elementos das imagens e símbolos supostamente associados a grupos racistas, incluindo referências ao Ku Klux Klan (KKK). Não há, porém, evidência pública de que essa associação tenha sido intencional.
O caso levantou uma questão importante para qualquer empresa: uma mensagem não precisa ser intencional para ser interpretada de determinada maneira. Por isso, além de pensar no que uma campanha pretende comunicar, é importante avaliar como diferentes públicos podem compreender seus elementos visuais.
Com isso em mente, segue algumas dicas para não publicar conteúdo ofensivo, mesmo que não propositalmente.
Pesquise antes de publicar
Uma das formas de reduzir esse tipo de risco é conhecer os símbolos e códigos utilizados em diferentes contextos sociais.
Um exemplo são os chamados “dog whistles”, ou “apitos de cachorro”. O termo é utilizado para descrever mensagens aparentemente comuns que possuem um significado específico para determinado grupo. Em contextos políticos e extremistas, esses códigos podem envolver palavras, números, imagens ou símbolos que passam despercebidos pela maioria das pessoas, mas são reconhecidos por determinados grupos.
Conhecer esses significados ajuda a identificar possíveis associações antes que uma campanha seja publicada. Isso não significa evitar qualquer símbolo que possa ter diferentes interpretações, mas compreender seu contexto e avaliar se ele é adequado para a comunicação da marca.
Faça uma pesquisa mais ampla e se familiarize com esse estilo de imagem e iconografia.
Tenha diferentes perspectivas na equipe
Uma equipe formada por pessoas com experiências e perspectivas diferentes pode ajudar a identificar interpretações que passariam despercebidas por um grupo mais homogêneo.
Uma campanha pode ser interpretada de maneiras diferentes por pessoas de diferentes origens, culturas e experiências. Por isso, ouvir profissionais com perspectivas diversas durante o processo criativo pode contribuir para identificar possíveis problemas relacionados a racismo, misoginia, homofobia, xenofobia e outras formas de preconceito.
Essa diversidade não precisa estar presente apenas na aprovação final. Ela pode participar da pesquisa, criação, direção de arte e produção dos conteúdos.
Aprenda com outros casos
Empresas frequentemente enfrentam críticas quando uma campanha ou peça publicitária é interpretada de maneira diferente da intenção original.
Esses casos podem servir como referência para identificar riscos antes de publicar uma nova campanha. Analise o que aconteceu, quais elementos geraram a reação do público e como a empresa respondeu.
O objetivo não é simplesmente evitar símbolos específicos, mas desenvolver um processo de comunicação mais atento ao contexto cultural e às diferentes interpretações possíveis.
Pesquise sobre casos similares e identifique o que os usuários criticaram em cada caso.
Escute o público
Mesmo com pesquisa e revisão, nenhuma equipe consegue prever todas as interpretações possíveis de uma campanha.
Se uma publicação receber críticas relacionadas a uma possível associação ofensiva, vale analisar o que está sendo apontado antes de reagir. Nem toda crítica significa que houve um erro, mas ignorar automaticamente as preocupações do público também pode impedir a empresa de identificar um problema real.
Quando houver um erro, reconhecê-lo, corrigi-lo e explicar as medidas tomadas pode ser mais adequado do que insistir na intenção original. A intenção de uma campanha é apenas uma parte da comunicação. A forma como ela é recebida também importa.
Comunicação também exige contexto
Evitar uma semiótica problemática não significa criar campanhas sem símbolos, referências ou conceitos visuais. Significa compreender melhor os elementos utilizados e considerar como eles podem ser interpretados por diferentes públicos.
Pesquisar, ouvir perspectivas diversas, aprender com outros casos e estar aberto a críticas são etapas importantes para construir uma comunicação mais consciente e responsável.
fontes:
https://www.bbc.com/news/articles/crwyzj53pl1lo





